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Se
não estivesse fora de moda eu ia falar de amor. Daquele amor
sincero, olhos nos olhos, frio no coração, aquela dorzinha
gostosa de ter muito medo de perder tudo. Daqueles momentos que só
quem já amou um dia conhece bem. Daquela vontade de repartir, de
conquistar todas as coisas. Mas não para prendê-las no egoísmo
material da posse. Mas para doá-las no sentimento nobre de amar.
Se
não estivesse fora de moda eu ia falar de sinceridade. Sabe,
aquele negócio antigo de fidelidade, respeito mútuo e outras
coisas mais. Aquela sensação que embriaga mais que a bebida, que
é ter numa pessoa só, tudo o que procuramos em muitas. Se não
tivesse fora de moda eu ia falar em amizade. Na amizade que deve
existir entre duas pessoas que se querem. O apoio, a solidariedade
de uns pelas coisas dos outros e vice-versa. A união do
sentimentos, a dedicação de compreender para depois gostar.
Se
não estivesse tão fora de moda eu ia falar em família. Sim, família!
Essa instituição que atualmente vive a beira da falência,
sofrendo contínuas e violentas agressões. Pai, mãe, irmãos,
irmãs, filhos, lar... Um canto de paz no mundo, o aconchego da
morada, a fonte do descanso. E depois eu ia até falar algo como
felicidade. Mas é pena a felicidade, há muito tempo esteja fora
de moda. Sabe: me sinto feliz por estar fora de moda e você? Também
está fora de moda como eu?
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